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Paulistão 2018: o título que o Corinthians venceu com o peso da camisa

Poucos títulos foram mais saborosos que o Paulistão de 2018, não? É verdade, foi “apenas um Paulistinha” (né, Galiotte?). Mas levantar a taça na casa do rival, saindo em desvantagem, com um time claramente inferior tecnicamente, com Cássio herói nos pênaltis, Rodriguinho decisivo e ainda choradeira do Palmeiras porque queriam um pênalti que não foi… Aí é Corinthians demais!

O Campeonato Paulista de 2018 foi um título que o Corinthians conquistou pelo peso da camisa. Simples assim.

Primeira fase de Paulista serve apenas para arrumar o time para a temporada. O que importa mesmo são os clássicos, e neles o Timão teve duas vitórias e um empate (1×1 contra o Santos, 2×1 no São Paulo e 2×0 no Palmeiras, também com choradeira suína por causa da expulsão do Jailson).

Se classificou para as quartas de final e enfrentou o Bragantino. Perdeu a primeira por 3 a 2 (golaço do Pedrinho no fim ajudou a diminuir o prejuízo) e venceu na Arena sem problemas.

Contra o São Paulo, na semifinal, foi só na camisa. Cheio de remendos, o Corinthians jogou mal no Morumbi e perdeu por 1 a 0. Na volta, na Arena, o rival ficou o jogo inteiro atrás, se defendendo com o time inteiro na área. O Timão, por sua vez, tinha a bola, mas não conseguia furar a retranca – como faz falta uma referência na área, alguém especialista em fazer gols.

Tudo indicava uma eliminação quando Clayson bateu o escanteio e Rodriguinho subiu absolutamente sozinho para marcar o gol da vitória. Do nada o Corinthians achou um gol. Estava muito difícil vazar a zaga adversária, todos os cruzamentos pareciam ir para as cabeças tricolores. Mas aquele, aos 47, achou justamente o maestro Rodriguinho. Incrível.

Bom, com gol no último momento, Arena fervendo e Cássio no gol, o que ia acontecer nos pênaltis? Claro que deu Timão! O camisa 12 pegou as cobranças de Diego Souza (eternamente gratos) e Liziero e classificou o Alvinegro.

E na final veio justamente quem? O time do elenco milionário, o Real Madrid das Américas, a patota da Leiloca. Só que no primeiro jogo, na Arena, o Palmeiras não jogou como o time que tem Lucas Lima, Dudu, Borja, Felipe Melo e uma porrada de medalhões, o time que já gastou milhões e mais milhões em contratações. Não, jogou como time pequeno. Achou um gol logo aos 6 minutos em um cruzamento e ficou fechadinho atrás, fazendo cera, retardando o jogo sempre que possível. E o Corinthians? Apresentou a mesma dificuldade da semifinal de vazar um time inteiro na retranca. Ainda assim, o time demonstrou garra e saiu de campo aplaudido pela Fiel na Arena.

Para a volta, ficou aquela pergunta: como virar para cima de um time melhor tecnicamente, na casa do rival, sem jogadores ofensivos de qualidade para marcar os gols? A resposta? Com o peso da camisa!

O técnico Carille foi inteligente ao não lançar o time para o ataque com tudo desde o início. Ele optou pelo mesmo time sem atacantes de referência, naquele esquema 4-2-4-0. Corretamente, ele pensou em não se arriscar e ver o que acontecia. E não é que o Timão marcou logo no primeiro minuto? Grande jogada de Mateus Vital e gol dele, do maestro Rodriguinho.

Daí em diante, o Corinthians fez o que sabe melhor: se postou atrás e apostou na defesa sólida e nos contra-ataques. Do outro lado, o Palmeiras sentiu o gol. Até tinha a bola, mas pouco criava. Entre um chilique e outro, Dudu tentava fazer uma fumaça pela esquerda. Lucas Lima, teoricamente o articulador do time, nada fez.

Lá pelos 30 do segundo tempo houve o lance que gerou a choradeira suína. Dudu invadiu a área pela esquerda, Ralf deu o bote e mandou a bola para escanteio. Só que o juiz Marcelo Aparecido apitou um pênalti absurdo. Revoltados, os jogadores do Corinthians pressionaram a arbitragem. Depois de muita conversa e talvez de uma interferência externa, o árbitro cancelou a marcação.

A confusão inflamou o por muitas vezes calado Allianz Parque. Mas o time do Palmeiras não soube tomar proveito disso. Os jogadores ficaram ainda mais nervosos e só conseguiram criar uma chance até o fim do jogo.

Com o apito final, mais uma chance de Cássio brilhar. E que estrela tem o Cassião! Pegou justamente as cobranças do chiliquento Dudu e do mascarado Lucas Lima. Fagner perdeu para dar emoção, mas Maycon garantiu o título com personalidade. O silêncio no estádio depois da cobrança do garoto é algo maravilhoso:

Esse título do Corinthians foi inexplicável. O Timão encerrou a final com Sheik e Danilo, uma dupla de ataque de 77 anos! Surreal.

Da conquista, vale destacar o trabalho de Fábio Carille. Com um elenco enfraquecido em relação ao ano passado, mais enxuto, sem opções confiáveis para marcar gol, o treinador ainda assim montou um time competitivo. Inventou um esquema sem atacantes e apostou na força da defesa, no entrosamento, na organização e na raça. Montou time para vencer de 1 a 0 mesmo, sem vergonha nenhuma disso. E foi embaçado jogar contra o Corinthians.

Mas apenas estes fatores não seriam suficientes para um time qualquer ser campeão. Carille contou com um componente a mais: a camisa mais pesada do futebol brasileiro. São Paulo e Palmeiras tiveram tudo para eliminar o Timão. Só que eles viram o manto alvinegro do outro lado e sentiram.

E para ser bem sincero, não dá para culpar eles. Isso acontece com praticamente todos os times que enfrentam o Coringão.

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