Textões

Paciência, Fiel: o que vier em 2018 é lucro

Fala a verdade, 2017 foi do caralho, né? O ano começou com aquela história de quarta força. Aí o Carille encontrou a escalação ideal do Corinthians naquele 1 a 0 sobre o Palmeiras que nem o juizão conseguiu evitar. O título do Paulistão veio sem sustos. Na sequência, o Timão emendou o melhor primeiro turno da história do Brasileirão. O rendimento caiu, é verdade, mas foi preciso só de mais um atropelo sobre o Palmeiras para engrenar de novo e sacramentar o hepta (sem fax).

Vários caras surpreenderam. Jô chegou totalmente desacreditado e foi o melhor jogador do Brasil no ano. Guilherme Arana deixou de ser uma promessa para se firmar como o principal lateral-esquerdo do Brasil. Rodriguinho foi o maestro que muitos pensavam que ele não tinha capacidade para ser. Pablo chegou e tomou conta da zaga. Seu parceiro, Balbuena, se consolidou como uma realidade na posição. Até mesmo o treinador, que começou o ano como aposta e terminou como ‘Pep Carille’.

Confira as notas de todos o elenco corintiano em 2017

Em 2017, mesmo sem dinheiro, o Timão foi atrás de contratações pontuais e acertou em cheio com Pablo, Gabriel, Jadson, Jô e até o Clayson, que chegou no meio do ano e virou o talismã do Timão.

Neste ano, também pelas dificuldades financeiras, o Timão adotou a mesma fórmula. No entanto, esperar o mesmo resultado é otimismo demais.

O Corinthians vendeu Jô e Arana e não conseguiu segurar Pablo. Três donos de posições em 2017 se foram, incluindo uma das grandes promessas do futebol brasileiro e o melhor centroavante em atividade no país. De fato, são peças difíceis de se repor.

O Timão foi ao mercado atrás do ‘bom e barato’ e contratou alguns atletas que foram bem no Brasileirão. De olho no futuro, o Corinthians abriu os cofres e trouxe o lateral-esquerdo Juninho Capixaba, do Bahia, e o meia Mateus Vital, do Vasco – eles têm 20 e 19 anos, respectivamente. O volante Renê Júnior, também ex-Bahia, e o atacante Júnior Dutra, destaque do Avaí, têm mais experiência, com 28 e 29 anos, e chegam para compor elenco. Para a zaga, o Timão trouxe Henrique, que não teve o melhor dos Brasileirões em 2017, mas possui a bagagem de uma Copa do Mundo e do futebol europeu. E há ainda o veterano Emerson Sheik, de 39 anos, que teoricamente chega só para encerrar a carreira (merecidamente) no Corinthians.

É uma lista de apostas da diretoria. Afinal, dá para cravar que qualquer um desses nomes vai se firmar como algum dos melhores na posição no país, como aqueles jogadores que saíram?

No palpitômetro, ponho fé que podem vingar Capixaba, Mateus Vital e Júnior Dutra – este último como reserva importante, não como o 9 titular, substituto de Jô.

Devido aos investimentos dos clubes rivais, dá para cravar que conquistar qualquer título em 2018 é lucro…

… E essa perspectiva é excelente para o elenco do Corinthians. No ano passado, o Alvinegro teve sucesso por ser um time humilde, organizado, raçudo. Uma equipe que se uniu em torno do discurso da ‘quarta força’, da falta de otimismo, para se tornar a mais competitiva e difícil de se derrotar no Brasil.

Em 2018, a fórmula deve ser exatamente a mesma. Por mais que tenha jogadores de qualidade, o elenco do Timão não tem nenhum medalhão, nenhum craque. Por isso o coletivo tem que ser o mais importante.

E a torcida também precisa entender isso. Entender que 2017 foi o ponto fora da curva. Entender que esperar o mesmo do elenco desse ano pode ser a receita para frustração. Assim como o Timão em campo, a Fiel tem que ser humilde, cantar mais alto quando a situação estiver difícil, segurar o lamento naquele passe que o volante não deveria errar.

O mais provável, de verdade, é que o Corinthians não conquiste nada em 2018.

Mas, aquela coisa, quando o time é humilde, encaixa e joga junto da Fiel, até o impossível pode acontecer. A história do Corinthians – e o ano de 2017 – estão aí para provar isso.

Deixe um salve