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Guerrero deve voltar e o Corinthians não pode perder a chance de contratar o peruano

Você é daqueles que acha que o Guerrero não merece mais vestir a camisa do Corinthians? Pensa que ele desrespeitou o Timão quando foi para o Flamengo após ter dito que não jogaria em outro time no Brasil? Então vamos voltar um pouco no tempo para a época em que ele deixou o Alvinegro.

O ano era 2014. O Corinthians tinha Mano Menezes no banco e um time que já não era mais potente como o que vencera o Mundial dois anos antes. Ainda assim, o Timão conseguiu uma classificação para a Libertadores na raça. Guerrero era indiscutivelmente o melhor da equipe e o principal responsável pelo Alvinegro participar da competição continental do ano seguinte.

O contrato do peruano acabaria em maio do ano seguinte. E o que ele queria? Valorização. Era o melhor do time e queria ganhar como tal. E ele estava errado? A diretoria do Corinthians, por sua vez, disse que não tinha dinheiro para pagá-lo. Mas, ao mesmo tempo, Pato estava ganhando na casa de R$ 800 mil para jogar no São Paulo. Sheik tirava R$ 500, R$ 600 mil de férias – ele tinha sido emprestado ao Botafogo e acabou dispensado do time carioca na reta final do Brasileirão.

E se você fosse o melhor funcionário do seu trampo? Produtivo, pontual, prestativo, gente fina. Mas, apesar de tudo isso, quem recebe o aumento é o vagabundo do seu lado. Depois, o cara que nunca chega no horário e sempre sai mais cedo é promovido. E você continua lá, da mesma forma. Aí você chega para o seu chefe e pede uma promoção, um aumento, algo assim. E ele diz que não tem dinheiro para te pagar. Como você se sentiria?

Guerrero errou em apenas uma coisa: dizer que não jogaria em outro clube no Brasil. Mas quantos jogadores não falaram alguma besteira na carreira?

Essa situação é como um relacionamento. Um rompimento traumático geralmente é a lembrança mais viva. Mas isso não significa que não houveram grandes momentos.

O caso de Guerrero é igual. É melhor pensar em uma frase mal dita, em uma saída brigada? Ou em como ele colocou os zagueiros do Chelsea no bolso? Nos dois gols do Corinthians no Mundial? Nos clássicos decisivos? Nos 54 gols feitos pelo Timão, o recorde entre estrangeiros na história do clube?

O momento atual do Corinthians é ainda mais propício para ir atrás de Guerrero. O Timão não tem ninguém nem perto de substituir Jô à altura. E o moleque da base foi o melhor jogador da equipe em 2017. A falta de uma presença de área de respeito tem pesado para o Alvinegro neste começo de ano. Resumindo: falta um 9.

O Timão também tem outros dois problemas: falta de dinheiro e falta de opções. Henrique Dourado, que era o alvo do Corinthians antes de chegar ao Flamengo, está muito longe tecnicamente de Guerrero ou Jô, por exemplo. E que outras opções têm disponíveis por aí?

Guerrero nunca esteve tão desvalorizado. Ele está suspenso até maio por doping. Depois, vai para a Copa do Mundo com o Peru. Seu contrato com o Flamengo acaba em agosto, o que significa que ele pode assinar um pré-contrato com outro clube já neste mês. O Flamengo, que contratou Dourado, não deve fazer esforço para manter o jogador.

O Corinthians deveria assinar com Guerrero em baixa. Deixa ele se preparando para o Mundial da Rússia. Depois, chega em forma para disputar o Brasileirão e o mata-mata da Libertadores.

A hora de ir atrás de Guerrero é agora. É melhor já fechar com ele do que deixá-lo ir para a Copa e se valorizar. Porque, em crise financeira, o Corinthians não vai conseguir brigar com times europeus e chineses pelo peruano.

Guerrero é o melhor centroavante que o Corinthians teve na Era pós-Ronaldo. Não há motivo para deixar rusgas do passado impedirem que um novo capítulo da história do peruano no Timão seja escrito.

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