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As notas de todos os jogadores do Corinthians na temporada 2017

O Brasileirão nem precisa terminar oficialmente para ser dado por encerrado. Afinal, o Corinthians assumiu a liderança na quinta rodada e se manteve na ponta até confirmar o título na 35ª. Enquanto alguns times ainda brigam por alguma coisa, o Coringão se recupera da ressaca para se preparar para 2018. Isso significa que também é hora de fazer aquele balanço sobre a temporada de 2017. Abaixo, seguem as notas de TODOS os jogadores que participaram da campanha no ano – todos mesmo, do craque Jô ao esquecível Guilherme. Se liga:

GOLEIROS

Cássio – Depois de um 2016 um pouco abaixo, o goleiro voltou ao seu melhor nível, ao que a Fiel está acostumada: grandes defesas, gigante nos momentos decisivos. Jogou tão bem que voltou à Seleção com Tite, que havia chegado a barrá-lo no Timão. E vale destacar: desde que foi contratado em 2012, Cássio já tem dois brasileiros, Libertadores e Mundial (entre outros títulos) no currículo. NOTA 9

Walter – Jogou apenas uma partida, contra o Atlético-PR, na Arena da Baixada. Em um jogo importante, em que o Corinthians foi inferior, Walter segurou a bronca e pegou até pênalti. O Timão achou um gol no segundo tempo e venceu. Infelizmente, se lesionou no fim da partida e só voltará em 2018. É um grande goleiro, com nível para ser titular de muito time por aí. NOTA 7,5

Caíque França – O goleiro do jogo do título, por incrível que pareça. Com a lesão de Walter, Caíque teve que assumir a meta em dois duelos decisivos, contra Avaí e Fluminense. Não brilhou, mas não comprometeu. Para o terceiro goleiro, está ótimo. NOTA 6,5

Matheus Vidotto – Não jogou no ano e aparentemente ficou nervosinho quando escolheram Caíque e pediu para sair do clube. Beleza, é compreensível ficar frustrado. Mas o que o Matheus Vidotto fez no futebol para exigir jogar? Valeu, até a próxima, não fará falta. NOTA 1

LATERAIS

Fagner – Oferece tudo o que você precisa de um lateral. Seguro na defesa, saída de bola de qualidade, passe preciso, aparece na frente e não vai pro ataque que nem doido e deixa tudo aberto atrás. Foi quem mais desarmou pelo Corinthians no Brasileirão. Não por acaso tem a confiança do Mestre Tite. Baita temporada! NOTA 8,5

Guilherme Arana – Tem grande parcela de contribuição no ano do Corinthians. Talvez tenha sido o melhor jogador do primeiro turno do Brasileirão, quando o Timão deitou. É um lateral daqueles com muita força ofensiva, que chega na área finalizando, vai para o fundo cruzar – e ainda gosta de esbanjar com umas canetas e chapéus. Depois que se lesionou, rendeu menos e passou a impressão de estar no sacrifício. Mais um motivo para agradecer o moleque de 20 anos que foi o melhor lateral-esquerdo do Brasil e qur, infelizmente, deve deixar o Timão. NOTA 8,5

Léo Príncipe – Não comprometeu nas chances que teve, mas chegou a ser preterido algumas vezes por Paulo Roberto improvisado. Ainda não mostrou o suficiente para ser dono da posição. No entanto, para o banco do Fagner está de bom tamanho. NOTA 5,5

Moisés – Coincidência ou não, o Corinthians começou a oscilar no Brasileirão quando Arana se machucou (na derrota em casa para o Vitória). E quem substituiu Arana? Moisés. Na defesa, gerou uma insegurança que antes não havia. No ataque, a ultrapassagem com cruzamento errado virou marca registrada. O Corinthians precisa de outro lateral para 2018. NOTA 4

ZAGUEIROS

Pablo – Contratado no início do ano, se tornou titular absoluto no instante em que pisou no Parque São Jorge. Zagueiro completo. Acertou a zaga. O Corinthians tem que fazer de tudo para mantê-lo em 2018. Tem que ser prioridade da diretoria. NOTA 8

Balbuena – Cresceu demais com a chegada de Pablo. Além do alto nível atrás, foi importante também no ataque. Com quatro gols, o paraguaio foi o terceiro artilheiro do Timão no Brasileirão (até a 35ª rodada, quando o campeonato acabou efetivamente). NOTA 8,5

Pedro Henrique – Não passa a mesma segurança da dupla titular, embora não tenha comprometido quando precisou assumir a responsabilidade por uma sequência de jogos com a lesão de Pablo. Boa opção como reserva imediato, mas não é o cara para ser o titular em 2018. NOTA 6,5

Léo Santos – Garoto da base, estreou aos 18 anos e mostrou potencial nas poucas oportunidades que teve. Em uma delas, inclusive, marcou o gol do empate contra a Ponte Preta no primeiro turno do Paulistão. Se não fosse ele, o Timão não seria campeão invicto. Vale ficar de olho. NOTA 6

VOLANTE

Gabriel – Como o Corinthians sentiu quando o Ralf foi embora. Em 2016, a posição de primeiro volante foi uma bagunça. Teve até Williams jogando clássico de titular. Só que Gabriel chegou no início de 2017 e tomou conta da vaga. Rege a cartilha do cabeça de área: marcação implacável, cobertura, desarme e passe rápido. NOTA 8,5

Maycon – Começou o ano na reserva, mas não demorou para ganhar a posição. Foi o autor do desarme que originou o gol sobre o Palmeiras, no Paulista, no jogo mais importante da temporada, aquele de definiu a equipe titular e o estilo de jogo para o restante do ano. No início tinha mais liberdade para atacar, mas com o passar do ano Carille soltou mais Rodriguinho e segurou o garoto da base, que aceitou fazer o trabalho sujo. Participou de todos os jogos no Brasileiro até a definição do título. Caiu de rendimento na reta final, é verdade. Só que isso aparenta mais ser desgaste físico do que qualquer outra coisa. Tem um grande futuro. NOTA 8,5

Camacho – O reserva imediato para quase todas as funções do meio-campo. Não é brilhante, mas é regular e não inventa. Teve grande atuação quando foi jogado na fogueira ao receber a titularidade no clássico contra o Palmeiras, na vitória por 3 a 2 no segundo turno. NOTA 7

Paulo Roberto – “Pô, vai contratar o cara que nem é titular do Sport”. Esta foi uma das críticas que o Timão recebeu quando anunciou o acerto. Paulo Roberto é limitado, mas sabe fazer a função de primeiro volante. Ele marca e toca. Vale lembrar que ele também quebrou o galho na lateral direita quando Fagner se machucou. E foi o melhor em campo naquela vitória com cara de final sobre o Grêmio, no primeiro turno (Geromel se lembra bem desse jogo). Teve um ano muito acima da expectativa. NOTA 7,5

Fellipe Bastos – Começou o ano como titular e logo perdeu espaço. Ele realmente destoa do restante do time. Pode ser um cara bom de grupo, mas de bola… NOTA 4,5

Marciel – Que ano esquisito. Teve uma doença que fez com que seu cabelo caísse por stress. Tomou um medicamento que seria flagrado no antidoping e ficou cinco meses parado. O caso o colocou em depressão. No entanto, com o rendimento ruim de Moisés, Carille acabou tendo que apostar em Marciel improvisado na lateral logo no clássico contra o Santos. O volante correspondeu e até deu passe para gol. Pode ser útil no elenco em 2018. NOTA 5,5

MEIAS

Rodriguinho – Podem criticar: Rodriguinho foi fundamental para o 2017 vencedor do Corinthians. Ele erra passes? Erra, mas é ele quem tem que dar a assistência diferenciada, fazer o difícil. Ele é o cara da criatividade. E está mais propício ao erro. Só que Rodriguinho também busca o jogo, arredonda a bola para o time sair no contra-ataque, mantém a posse quando o adversário pressiona, dá aquelas desfiladas driblando vários caras em lance bonitos que geralmente não dão em nada mas são da hora de ver mesmo assim. Acredite se quiser: R26 foi o maestro do hexa. NOTA 8,5

Jadson – O veterano teve fases no ano. No início, sua experiência foi importante na hora da montagem do time, ele era a válvula de escape de uma equipe ainda sem muita confiança. Depois, se firmou como o cara do lado direito quando o Timão estava voando. Na época da queda de rendimento da equipe, aparentemente sentiu o desgaste – não rendia ofensivamente e se tornou uma debilidade para a marcação pela direita. Foi parar no banco, mas ainda deu uma contribuição nas partidas ‘finais’, contra Avaí e Fluminense, ao entrar em campo mais centralizado e tornar o time mais ofensivo, com maior posse de bola. NOTA 7,5

Giovanni Augusto – Vilão na queda na Copa do Brasil ao perder um gol mano a mano com o goleiro diante do Inter no Beira-Rio. Não melhorava o time nas vezes em que era chamado por Carille. Mas quis o destino que Giovanni Augusto saísse do banco contra o Atléitco-PR, em um jogo importante, com o Corinthians inferior em campo, e marcasse o gol da vitória em um cruzamento/chute que sabe-se lá como entrou. É o Cachito Ramírez versão 2017. NOTA 5

Danilo – Depois de mais de um ano se recuperando de uma lesão gravíssima, Zidanilo entrou em campo no jogo do título, contra o Fluminense, para ser homenageado pela Fiel e se juntar a Dinei como os únicos tricampeões brasileiros da história alvinegra. Nota alta só por ter pisado no gramado da Arena novamente. NOTA 8,5

Guilherme – Depois de tantos êxitos em 2017 ano, mal dá para lembrar que Guilherme chegou a desfilar sua corridinha-Alexandre-Pato e sua má vontade com a camisa alvinegra. Ainda bem. NOTA 3

ATACANTES

Romero – O jogador que é a cara do Corinthians. Mesmo abaixo da média em praticamente todos os fundamentos, consegue ser fundamental para a equipe. Além do mais, cresceu nos jogos grandes da temporada. O Corintiano faz parte do fã-clube do Romero. NOTA 8,5

Clayson – Um herói inesperado. Única contratação do meio da temporada, chegou da Ponte Preta sem muita expectativa. Mas apareceu no momento mais crítico do Brasileirão com gols importantes, como o que garantiu o empate por 1 a 1 com o São Paulo. Só poderia passar mais a bola para Arana nas ultrapassagens do lateral. Tirando isso, tudo ótimo. NOTA 8

– Se contassem a história do Jô num filme pareceria batido. Chegou ao Corinthians – time que o revelou – em baixa, dispensado da China e acima do peso. Ninguém o queria. Demorou um pouco para pegar ritmo e ficou até na reserva do Kazim no início do ano. No entanto, no jogo determinante da temporada, saiu do banco para garantir o 1 a 0 sobre o Palmeiras, na primeira fase do Paulistão. Daí em diante o negócio ficou embaçado. Jô se tornou o centroavante que todo corintiano sonhava: brigador, eficiente no pivô, importante na contensão da posse na frente, forte na disputa pelo alto e, acima de tudo, artilheiro. Não passou a ser conhecido como Rei dos Clássicos à toa. Sem ele, o Timão não seria campeão brasileiro. Foi indiscutivelmente o craque do campeonato. NOTA 10

Marquinhos Gabriel – Ano de altos e baixos. Na Copa do Brasil, foi vilão ao desperdiçar o pênalti que culminou na eliminação diante do Inter. Depois de um período em baixa, passou a ser a principal opção ofensiva no banco de reservas. Ele saiu da reserva para mudar o jogo contra o Vasco, que encerrou a sequência negativa do Timão no início do segundo turno. Perdeu espaço com a chegada de Clayson. NOTA 6

Kazim – O Gringo da Favela é divertido, esforçado, dá boas entrevistas, mas não tem condições de jogar no Timão. Marcou dois gols em todo o ano. Só que um deles acabou sendo importante: o que garantiu a vitória sobre o Avaí e deixou o Coringão com chances de confirmar o título contra o Fluminense, o que de fato ocorreu. NOTA 5

Pedrinho – O moleque de 18 anos mostrou ser promissor nas poucas oportunidades que teve. Contra o Botafogo, fez um jogada espetacular que resultou no gol da vitória, marcado por Jô. Está sendo trabalhado pela comissão técnica e deve estar mais em campo em 2018. NOTA 5,5

Marlone – Outro que não deixou saudades em 2017. Depois de demonstrar um pouco da tradicional inconstância e apatia, foi emprestado para o Atlético-MG em troca de Clayton. O Corinthians devolveu Clayton, mas não quis Marlone de volta. NOTA 3,5

Clayton – Veio por empréstimo em contrapartida à ida de Marlone para o Atlético-MG. Foi tão bem que o Corinthians o devolveu antes do prazo. E nem pediu Marlone de volta. NOTA 4

Carlinhos – Apesar de ter jogado alguns minutos ao longo do ano, não dá para dizer que teve oportunidade. Deve ser mais utilizado em 2018. Não é possível que o Carlinhos tenha menos bola que o Kazim. SEM NOTA

TÉCNICO

Fábio Carille – Foi humilde do início ao fim do ano. Encontrou a equipe ideal no clássico contra o Palmeiras e foi inteligente em seguir com o mesmo time. Nada de revezamento, poupar jogador. Carille apostou na sequência, no entrosamento. E o Corinthians foi crescendo, achou uma identidade, passou a jogar melhor e foi se firmando como uma equipe de qualidade. Apesar do título paulista, do início fulminante no Brasileirão, o treinador manteve os pés no chão. O rendimento do time caiu, não por culpa do técnico, mas por questões naturais como desgaste, lesões e o fato de o Timão passar a ser o alvo de todos os times do torneio. Carille insistiu, corretamente, no que havia dado certo anteriormente. O treinador também teve mérito ao fazer alterações na equipe titular no clássico decisivo contra o Palmeiras, na Arena. Meio sem querer, o Corinthians encontrou um grande treinador. NOTA 10

DIRETORIA

Geral – É difícil apontar quem fez o quê no trabalho da diretoria. Mas, como trabalho coletivo, há que aplaudir os cartolas corintianos. Todos sabem que a situação financeira do clube não está fácil. No entanto, a diretoria foi cirúrgica nos reforços para o ano ao resolver deficiências da equipe com contratações pontuais. Pablo chegou e se firmou na zaga; o mesmo aconteceu com Gabriel como primeiro volante; a experiência de Jadson foi fundamental na formação da equipe; e Jô se tornou o centroavante de respeito que o Timão não tinha desde Guerrero. Além do mais, a aposta por Carille não poderia ter sido melhor. NOTA 9

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